Educação financeira em casa: veja por onde começar

Educação financeira em casa: veja por onde começar

Evitar compras por impulso, planejar investimentos e economizar. Essas são lições básicas para qualquer família equilibrar as contas do mês. O problema é que a educação financeira ainda não é trabalhada como deveria.

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta: 45,8% dos entrevistados não têm um controle sistemático do orçamento. Eles até sabem quanto gastam com luz, água e telefone, mas não registram o montante destinado aos supérfluos.

O descontrole pode virar uma bola de neve insustentável, com juros sobre parcelamentos e dívidas a perder de vista. Portanto, a saída é pôr todas as despesas e receitas na ponta do lápis.  E os filhos devem ser incluídos nesse processo.

Educação financeira para jovens

Não se trata de incentivar o acúmulo de riquezas. O importante é mostrar às crianças e aos adolescentes que dinheiro vem com esforço. Quando se sabe o real valor das coisas, é possível administrar as finanças pessoais com sabedoria.

Justamente por isso, bons hábitos devem ser estimulados desde cedo. É simples, basta lidar com a realidade de cada um. Os pequenos não precisam saber de debêntures, Tesouro Direto e liquidez. Surte muito mais efeito, por exemplo, falar sobre quanto é preciso juntar para adquirir um novo tablet.

A seguir, confira dicas para desenvolver a educação financeira em casa.

  1. Mesada

Pagamentos periódicos ajudarão seus filhos a controlar os gastos. Os menores podem receber quantias semanais, enquanto os mais velhos já estão aptos a administrar um único valor por mês.

Não se deve utilizar a mesada como moeda de troca. Atrelar o dinheiro ao desempenho escolar ou ao bom comportamento pode criar uma mentalidade mercenária.

O mais sensato é definir um valor fixo e ater-se a ele. Se a grana acabar antes do prazo, nada de abrir concessões. Nessas horas, a escassez ensina mais que a sobra – afinal, na vida adulta, não tem salário extra no meio do mês.

  1. Poupança

O bom e velho cofrinho continua sendo útil. Ao reservar parte da mesada, o jovem consegue arrecadar o suficiente para realizar desejos mais caros.

Uma sugestão é projetar metas: se a ideia é comprar um novo jogo de videogame, os trocados do porquinho (ou do pote, ou da latinha) serão destinados para aquilo. Pode-se utilizar mais de um cofre, aliás, um para cada sonho de consumo.

Essa prática é importante porque ensina sobre investimentos de longo prazo. Pequenos “sacrifícios” do dia a dia geram grandes recompensas. Porém, certifique-se de que a moça ou o rapazinho esteja poupando corretamente. Há sempre o risco de alguém deixar de comprar lanche na escola para reunir mais umas moedas.

Se for o caso, entregue o dinheiro da merenda à parte e peça o troco de volta. Uma ou outra intervenção dos pais é necessária até que os filhos ajam com total autonomia.

  1. Caderno de gastos

É o equivalente mirim da planilha financeira. Quem registra todas as saídas consegue visualizar melhor o que é despesa básica e o que dá para cortar. Ao se escolher entre um novo gibi ou a pizza com os amigos, elegem-se prioridades.

Esse controle também ajuda a calcular o orçamento do mês. A partir do valor da mesada, é possível verificar quanto tempo de poupança será preciso para adquirir um item mais caro.  

As decisões cabem ao jovem, mesmo que os pais considerem uma bobagem ter mais um brinquedo na coleção. O que se recomenda, isto sim, é conversar para compreender as vontades do pequeno e orientá-lo em caso de dúvida.

  1. Economia geral

Explicar como funcionam as despesas da casa é outro instrumento interessante de educação financeira familiar. Apagar as luzes, desligar equipamentos eletrônicos após o uso e fechar a torneira ao escovar os dentes são atitudes positivas, que incidem diretamente nas contas de luz e água.

Durante a ida ao supermercado, vale comparar marcas e mostrar como a diferença de valores dos produtos pesa no bolso. Ainda, trata-se de uma oportunidade para negociar a compra de supérfluos: não é que o chocolate seja proibido, mas, ao levá-lo, falta dinheiro para o refrigerante.

Aos poucos, com diálogo e bons exemplos, a gurizada vai aprendendo a usar o dinheiro com responsabilidade e sabedoria. A tendência é que esse comportamento se estenda à vida adulta, sem extravagâncias ou desperdícios.

Gostou das dicas? Então deixe um comentário e conte-nos como você trata desse assunto em casa! Se quiser mais informações, aproveite para conhecer o site Cidadania Financeira, mantido pelo Banco Central do Brasil.

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