Fake News: como evitar que seu filho espalhe boatos

Fake News: como evitar que seu filho espalhe boatos

A internet revela-se uma ótima ferramenta de pesquisa e comunicação instantânea. Porém, a velocidade da rede também pode favorecer hábitos ruins. Um deles é a disseminação de boatos e notícias falsas.

Na pressa em opinar sobre as polêmicas do momento, muitos usuários repassam qualquer conteúdo sem desconfiar das informações. Esse comportamento abre espaço para juízos de valor fundamentados em mentiras. Ou seja, contribui para reforçar estereótipos que por vezes nada acrescentam ao debate.

A família é um dos canais que pode ajudar os jovens a adotar uma postura crítica em relação ao que leem e consomem. Siga conosco e veja como orientar sobre fake News.

Fake News: boas intenções geram más consequências

Plástico causa 52 tipos de câncer. Tempestade solar afetará sistemas de telecomunicações. Cada compartilhamento do vídeo renderá um dólar em prol das vítimas do furacão Irma.

As frases acima não são verdadeiras, mas circulam em posts do Facebook e correntes de WhatsApp. Quem as espalha geralmente tem boas intenções: quer fazer o bem ou proteger parentes e amigos, alertando-os sobre as ameaças da sociedade. Contudo, o problema se agrava quando o teor das mensagens ganha contornos agressivos.

Isso é muito comum se o assunto mexer com questões políticas sociais. Textos imprecisos e fantasiosos alimentam uma visão já parcial dos fatos. Assim, o material serve para justificar preconceitos e ideologias que o leitor carrega consigo.

Um exemplo. Digamos que o link anuncie: “Governo permitirá venda de bebida alcoólica a crianças”. Um pai de família, indignado com a situação, pode aproveitar a oportunidade para vociferar sua oposição ao partido que estiver no poder.

Há quem ache graça, mas as consequências podem mexer com o mundo inteiro, como no caso das últimas eleições americanas em que notícias falsas foram apontadas como fator que contribuiu para a vitória de Donald Trump. No Brasil, também já se observou o alcance das fake news. Em 2014, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi morta por dezenas de moradores do Guarujá, no litoral de São Paulo. Um boato publicado na web dizia que a mulher sequestrava crianças para praticar magia negra. A mentira custou a vida de uma inocente.

Como identificar boatos e notícias falsas na internet

Entre os adolescentes, a boataria pode causar desinformação e fomentar práticas nocivas, como o cyberbullying. É papel dos adultos conversar com os jovens e orientá-los a uma experiência sadia na internet. Essa postura crítica e reflexiva se torna um conhecimento que eles carregarão para a vida toda.

O passo a passo a seguir é baseado em recomendações do Senado Federal. Confira:

  1. Ortografia

Erros de grafia e construções que fujam à norma padrão da Língua Portuguesa indicam que o texto não foi escrito por um profissional. É provável que se trate de uma brincadeira.

  1. Alarmismo

Fake News apelam para teorias conspiratórias, do tipo “leia antes que deletem” ou “a mídia não quer que você saiba disso”. A linguagem costuma ser carregada de adjetivos – algo incomum no jornalismo – para despertar raiva e indignação.

  1. Contexto

Muitos boatos começam com “o governo divulgou” ou “deu na TV”, mas não citam data nem origem da informação. Eis mais um motivo de desconfiança. É necessário saber quem disse o quê, quando e onde.

  1. Fonte

Deve-se observar a página na qual a reportagem foi publicada. Jornais famosos e sites oficiais possuem mais credibilidade. Vale lembrar que alguns portais de humor simulam conteúdo informativo, mas sem compromisso com a realidade.

  1. Circulação

Caso o mesmo texto apareça em vários locais, é sinal de “copia e cola” sem apuração. Fatos importantes recebem cobertura da imprensa e cada site tem uma abordagem diferente.

  1. Data

Mesmo notícias reais ficam descontextualizadas com o tempo. Projetos de lei, manifestações e outras ocorrências de anos anteriores, volta e meia, são compartilhados sem a devida atualização. A data do post é um elemento chave para evitar esse hábito.

  1. Profundidade

Alguns títulos são propositalmente distorcidos para chamar atenção do público. No corpo do texto, verifica-se que o assunto não era tão grave assim.

  1. Bom senso

Na dúvida, o melhor é não compartilhar. Pode-se, ainda, recorrer a serviços de fact checking, o cruzamento de dados para averiguar a veracidade das informações. A Agência Pública e o Boatos.org realizam esse trabalho.

Menos impacto no futuro

Tantos cuidados já vêm rendendo frutos. De acordo com o levantamento Trust in News, da consultoria Kantar, 76% dos brasileiros entrevistados preocupam-se em identificar a origem das notícias que acessam.

A confiança nos veículos de mídia também é maior que no conteúdo presente em redes sociais e aplicativos de mensagens. Essa é, provavelmente, uma reação à onda de fake news dos últimos tempos.

Seu filho já acreditou em correntes de WhatsApp e boatos da internet? Deixe um comentário e conte-nos como você lida com esse problema. E lembre-se: a informação é a melhor ferramenta para uma sociedade justa e honesta.

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