Adolescentes e uso de dispositivos móveis: buscando o equilíbrio

Adolescentes e uso de dispositivos móveis: buscando o equilíbrio

A psicóloga Fabiana Verza realizou pesquisa de mestrado, na PUCRS, sobre o uso do celular entre adolescentes. Ela aplicou um questionário em 534 alunos de escolas públicas e privadas de Porto Alegre, com o objetivo de entender a importância do aparelho para esses estudantes.

Segundo a pesquisadora, é nessa fase da vida que o jovem sente mais necessidade de diferenciar-se de seus pais, buscando independência e privacidade. O telefone móvel seria, então, um instrumento para ajudar no desenvolvimento das relações sociais e na construção da identidade dos jovens.

Os resultados da investigação apontam que o dispositivo é utilizado, principalmente, para comunicação com os pais e os amigos.

Vantagens dos dispositivos móveis

No âmbito familiar, existe a segurança de saber onde o filho está. Em caso de emergência, a troca de informações é rápida e o socorro pode chegar logo. Isso sem contar o estreitamento dos laços, mesmo que a conversa seja intermediada por um equipamento eletrônico.

Quanto à convivência com os colegas, Fabiana nota que há, entre os entrevistados, uma sensação de pertencimento ao grupo. Fazer uma ligação do próprio celular também promove certa individualização, o que auxilia a legitimar o espaço do adolescente nos seus diferentes grupos sociais.

Ou seja, trata-se de algo maior que um recurso de entretenimento. É um objeto que demonstra um estilo de vida e insere a pessoa no mundo. Números divulgados por outros estudos apenas corroboram essas conclusões.

Conforme o levantamento TIC Kids, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 83% dos sujeitos entre 9 e 17 anos que utilizam a rede navegam por meio do smartphone. O acesso via computadores corresponde a apenas 38% deles.

Em outras palavras, é basicamente pelo celular que essa faixa da população troca mensagens, utiliza as redes sociais e, eventualmente, até realiza trabalhos escolares. Portanto, pode-se considerá-lo uma ferramenta pedagógica. Existem, inclusive, aplicativos que favorecem o aprendizado dentro e fora de sala de aula, conforme esse artigo.

Vício em celular: ansiedade e problemas oculares

O problema, como tudo na vida, está no uso demasiado. Existe até nome para isso: nomofobia. O neologismo deriva do termo em inglês no-mobile-phone phobia. É o desconforto de estar sem o telefone móvel.

Assim como uma droga, as notificações de mensagens e as atualizações de status mexem com o sistema de recompensa cerebral. As descargas do neurotransmissor dopamina causam efeitos imediatos de prazer e satisfação. Dessa forma, verificar constantemente a tela do smartphone, em busca de novidades que nem sempre existem, torna-se um hábito.

O risco de dependência aumenta se o acesso ao celular é total e irrestrito ainda na infância. Mesmo jovens um pouco mais velhos precisam de limites, pois continuam em formação e não têm o autocontrole plenamente desenvolvido.

As consequências da nomofobia podem ser físicas e psicológicas. Perde-se a habilidade de estabelecer vínculos afetivos duradouros. Aumenta o risco de ansiedade, depressão e impulsividade. Há, ainda, quadros de fadiga, tendinite, miopia, dores de cabeça, má postura e distúrbios do sono, tudo em função do contato incessante com a máquina.

Portanto, cabe aos pais negociar com seus filhos maneiras saudáveis de utilizar a tecnologia.

Sinais de dependência

No que diz respeito ao vício em celular, é bom observar sinais de que algo esteja errado. Se seu filho reclama de dores pelo corpo e cansaço, pode estar passando noites em claro com jogos e grupos de Whatsapp.

Outro sintoma preocupante é a incapacidade de desligar o aparelho, mesmo numa ida ao cinema ou numa viagem de avião. Atrasos para compromissos também podem ser frequentes, pois quem mergulha nas redes sociais acaba perdendo a hora.

Em casos mais sérios, recomenda-se intervenção de um psicólogo.

Como utilizar o smartphone de maneira saudável

Além do risco de dependência, outro perigo ao qual os adolescentes estão suscetíveis é o comportamento impróprio para eles. Monitorar as páginas que o jovem acessa e ler as mensagens que ele troca com os amigos seria muito invasivo. Ainda assim, os adultos precisam ficar de olho em atitudes suspeitas.

Horários certos

O mais indicado é não levar o smartphone para o quarto. Usá-lo como despertador é comum, mas isso intensifica duas tentações: ficar acordado até mais tarde e verificar atualizações tão logo se abrem os olhos.

Se seu filho consegue ficar offline pelo menos nesses momentos, já é um avanço. O próximo passo é restringir dispositivos móveis durante as refeições. Converse com ele sobre a importância da convivência face a face. Lembre-o de que ficar pendurado no celular pode ser interpretado como desrespeito aos que estão à mesa.

Esse exercício pode facilitar o desprendimento que será obrigatório em outras situações da vida, como provas e reuniões de trabalho.

Comportamento na rede

O diálogo também é bem-vindo para a família se certificar de que o jovem não anda se metendo em confusões. Cyberbullying, exposição excessiva da intimidade e compartilhamento de notícias falsas são temas que devem entrar em discussão.

Em 2015, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) criou a campanha Internet sem Vacilo, voltada a adolescentes. Os vídeos explicativos continuam no ar e podem ser um bom ponto de partida, principalmente aos pais que não sabem lidar com essas questões.

Gostou das dicas? Acha que é possível estabelecer um limite sadio para o uso de celular entre seus filhos? Deixe um comentário e participe da conversa!

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